Sem-nome-01

Sophia 01

Era um dia qualquer, levantei, tomei meu café e sai pelas ruas da cidade. Não procurava nada além da minha paz que eu só encontrava quando abria um livro aleatório. Ali sempre foi meu lugar. Então eu sempre acabava em alguma livraria de esquina, pescando um livro ou outro. Até que a vi. Nunca acreditei em amor à primeira vista, ainda não acredito. Mas não posso negar que houve uma conexão, daquelas de filme mesmo. (Oh não, eu me tornei aqueles clichês de filmes românticos de fim de tarde)
A ouvi conversando com uma amiga, e descobri seu nome. Isabel. Mas pra mim, já era Bel. Notei o livro que ela em suas mãos, com alguns post-its, sugerindo algumas anotações. Também notei os livros que ela escolhia. Notei ela me notando. Notei meu rosto ruborizando. Mas ela foi embora. Seguiu seu caminho, segui o meu.
Cheguei em casa com meu alarme natural apitando. Eu não podia cair nessa de novo, não tava preparada pra cair nessa de novo, eu não queria cair. Involuntariamente (ou não) meus pés me levaram pr`aquela mesma livraria do dia anterior. E eu encontrei a mesma menina do dia anterior. Encontrei uma poltrona no lugar, me sentei e fiquei observando-a. Ela também estava com a mesma amiga. E hoje, ela ria. Ria sem parar. Aquela risada que enche o lugar, aquela risada que te faz querer rir junto. É claro que ela me notou de novo, tentei disfarçar mas num piscar de olhos, ela já sentava na poltrona ao meu lado.
Abriu um livro como quem não quer nada, e eu tentei concentrar no meu. Mas eu sentia seu olhar em mim, sentia o calor. Enrolei mais um pouco, acabei não resistindo. Deixei o livro de lado e disse oi. Ela me olhou e sorriu. Naquele instante, eu descobri que queria todos os seus sorrisos só pra mim. Trocamos algumas palavras sobre o livro que ela lia, nada demais, nada encantador, mas encantei mesmo assim. Mais uma vez, seguimos caminhos diferentes.
Uma semana se passou. Eu não a vi. Mas é claro que eu fiquei pensando nela, lembrando de como seu rosto se iluminava quando sorria, de como ela gostava de enrolar uma mecha de cabelo nos dedos enquanto lia e de como ela tentava prestar atenção em tudo ao seu redor. Mas no final, tudo ao seu redor prestava atenção nela. Aqueles cabelos castanhos, olhos cor-de-mel, pele branquinha… Ela conseguia o olhar de todos. Mais que isso. Ela conseguiu meu olhar, minha mente… Por dias!
Sentei à frente do meu notebook, tentando escrever algo que afastasse meus pensamentos d`ela. Escrevi meia dúzias de palavras, um poema aqui, outro ali. Até que as palavras começaram a fluir de um jeito que nunca fluíram antes, era como se meus dedos tivessem vontade própria, e eu nem notei quando escrevia. Quando terminei, voltei pra revisar, pra absorver aquelas palavras. Todas eram sobre ela. Sobre como o cabelo dela brilhava quando encontrava raios de sol, sobre os pequenos olhos, que ficavam ainda menores quando ela ria. Senti tremores nas minhas mãos, senti meu sangue ferver. Apaguei tudo.
Tudo que eu mais temia, tudo que eu evitava. Sempre desprezei autores que baseavam suas histórias em musas. Isso os faziam fracos. Dependentes de algo pra criar. É claro que precisamos de inspiração, mas isso nunca pode depender de outro alguém além de si mesmo. Nossas histórias não podem depender de terceiros, de terceiros que nem querem fazer parte dela! É claro que eu não podia continuar a escrever sobre ela, eu não podia.
Chegou a sexta-feira, completou-se duas semanas que não a via. Decidi sair pra algum barzinho da cidade, me distrair um pouco. Dei algumas voltas, nada me chamava a atenção. Achei um bar que tocava covers de rock dos anos 80, decidi arriscar. Encontrei uma mesa, me acomodei e pedi uma cerveja. A banda começou a tocar alguns minutos depois. Percebi que a vocalista era mulher, o que me chamou atenção. Sempre me interessei e tive preferência por vocais femininos. Corri meu olhar pelo local até o palco, e a vi agarrada a um violão, cantando.
Tentei evitar meu olhar até ela novamente. Curti minha noite, conversei com algumas pessoas e fui embora acompanhada. Ela assistiu tudo de camarote (supondo que ela tenha me visto, me reconhecido, e me acompanhado – uma garota pode sonhar). Tudo correu bem durante o resto da noite, Amanda (a menina que levei pra casa) me chamou pra subir até seu apartamento, tomamos uma cerveja e passei a noite lá. Na manhã seguinte, tomamos café, trocamos telefones e eu fui embora. Direto pr’aquela livraria.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s